Quanta coisa aconteceu.

Desde que eu escolhi ser artista e educadora.

 

Puxando o fio, vou desenrolando e vejo o teatro primeiro, nos exercícios da escola, o jogo, a brincadeira, infinitas possibilidades, a Cristina Freire,  o Beckett (paixão), o Brecht, a arte Nô, o Jorge Lescano, e junto a dança, Klauss Vianna, calçava 36 e pulei para 38, Jorge Balbyns.........depois veio as Ciências Sociais, a briga de galos balinesa de Geertz, o Marx pelo Chico de Oliveira,o Flavio Pierucci e o Encantamento,  o Benjamin, sou antes e depois deles, O Reginaldo Prandi, a dança Afro, Casa Grande e Senzala, Máscara Preta, a cultura popular.... e depois o palhaço, meu mestre-coração Esio Magalhães, as intervenções no espaço da cidade, a Bê,  as Rutes, o Gob Squad, minha irmã Pati (em tudo de bonito) o Tim Crouch e o contador de histórias, a arte de contar histórias, a Rainha Regina, o Dan Yashinsky e o professor Marcos.....

 

Vou assim em um barquinho errante.

Que nesse momento carrega uma palhaça (para dizer sempre o que pede para ser dito e não me levar tão a sério) - contadora de histórias (para trabalhar principalmente com metáforas e imaginação).

 

Diz Jeanne Marie Gagnebin, em suas Sete aulas sobre linguagem, memória e história: "somente a experiência do errar, em todos os seus sentidos, nos faz apalpar, como que pelo avesso, a experiência de uma verdade que não seria, primeiramente, a coerência de nosso pensamento, mas sim o movimento mesmo de sua produção: hesitante, avançando “aos solavancos e aos pedaços” (Adorno), abrupto, atravessado por ritmos diversos. Errar é, simultaneamente, perda das referências conhecidas e aprendizagem do desconhecido, apavorante e apaixonante”. 

 

Tenho trabalhado cada vez menos no palco e mais em zonas de risco - onde o encontro pela arte-jogo ou arte-ritual intereferem mais diretamente nas relações sociais, no espaço público, nas dinâmicas existênciais de quem está ali inesperadamente envolvido, não mais segmentando a vida em áreas como ciência, religião, estética política e sim revivendo uma perspectiva do mundo Encantado no sentido (forte!) de que: o que eu busco em meu caminho é dispor situações (artísticas) em que a racionalidade, o conhecimento, o amor, a imaginação, o espírito e a beleza estejam todos lá acordando e preservando o que é realmente Vivo em nós.

 

Amo as histórias por que elas nos transportam imediatamente para esse lugar.

 

Deixo aqui o link para minha pesquisa de mestrado: A Menina, o Cavalo e a Chuva: a arte de contar histórias e a Cibercultura.

 

Tenho também me dedicado a uma investigação-ação chamada:

 

O GIRO DO AMOR, O GIRO DA SORTE, O GIRO DA MORTE

 

{ Sama II }

 

Rumi

 

Vem, vem, tu que és alma.

da alma, da alma do giro!

vem, cipreste mais alto

do jardim florido do giro.

 

Vem, não houve nem haverá

jamais alguém como tu

Vem e faz de teus olhos

o olho desejante do giro

 

Vem, a fonte do sol se esconde

Sob o manto da sua sombra

És dono de mil Vênus

nos céus desse remoinho.

 

O giro canta tuas glórias

em mil linguas eloquentes

Tento traduzir em palavras

o que se sente no giro.

 

Quando entras nessa dança

abandona os dois mundos

é fora deles que se encontra

O universo infinito do giro.

 

Muito alto distante se vê

o teto da sétima esfera

mas muito além é que encontras

a escada que leva ao giro.

 

O que quer que exista, só exist no giro

quando danças ele sustenta seus pés.

Segura-o, aperta-o contra o peito

e arrasta-o para o giro

 

E quando as asas das mariposas

Abrem-se ao brilho do sol

todos caem na dança, na dança

e jamais se cansam do giro!

 

 

 

       Quando tiver mais informações sobre esse trabalho coloco aqui no site.

 

       Obrigada por chegar até aqui.. lendo essas coisas todas que ando e andei pensando. 

direitos reservados - Cristiana Ceschi

ilustrações do cabeçalho: Beatriz Carvalho