"Nos fundamentos da tradição não há a palavra vazia.

Os fundamentos da tradição são como o esteio do Universo." Ailton Krenak

Histórias dos povos indígenas

desenho de Azevedo Xavante.

 

 

Porque somos tão distantes dos povos indígenas?
O que a extração de metais, a construção das grandes usinas, o suicídio dos jovens Karajás tem a ver com o passado, presente e futuro compartilhado por todos nós?

Enquanto estivermos desencontrados das mais de 220 etnias e das milhares de aldeias que vivem em nosso país, da arte e da beleza das suas narrativas tradicionais, da música, tecnologia, conhecimento profundo sobre o meio ambiente desses povos, estaremos perdendo a chance de sermos mais autênticos, criativos e realizados como um povo verdadeiramente brasileiro.

 

Antes de contar mais sobre o meu envolvimento com os povos originários de nossa terra, compartilho aqui uma história Xavante narrada por mim dentro de um projeto chamado Aldeias Sonoras no portal Programa de Índio, é so clicar no link abaixo para entrar em outro tempo, outro espaço:

 

A história do Wapté e a Estrela

 

 

**************

 

 

Em 2012 conheci a Angela Pappiani,  estudiosa e disseminadora da cultura dos povos indígenas no Brasil... minha amiga querida.

 

Desde então vivo mais atenta, curiosa e encantada com as estórias do povo "verdadeiro" que ontem e principalmente hoje vive e nos ensina a viver (ou pelo menos a ver a vida) de uma maneira mais autêntica, comprometida com a nossa ancestralidade e com pessoas que ainda podemos ser.

 

No festival de contadores de histórias em Londrina, o ECOH, eu e Ângela participamos de um encontro ao redor do fogo para contar histórias da Tradição e conversar sobre aqueles que primeiro contaram essas histórias:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

No link abaixo, você pode ouvir uma entrevista em que contamos um pouco sobre essa e outras vivências:

 

Entrevista com Angela Pappiani e Cristiana Ceschi

 

As histórias contadas no festival estão nos livros "Histórias da Tradição".

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

"Essa jornada Histórias da Tradição é um desses momentos de poder, onde nossos parentes Xavante e Karajá juntam as pessoas no terreiro da aldeia para fazerem o mundo nascer de novo. É o eterno retorno deste encontro com as origens, lá onde o tempo não corre dos seus filhos, antes abraça a todos numa roda de cantiga." Ailton Krenak.

 

Mais sobre o projeto Histórias da Tradição e sobre esses livros maravilhosos que acompanham cds com a gravação das histórias contadas, você pode encontrar aqui: http://historiasdatradicao.org/

 

Aprendi muito com essas histórias...sonhei com elas, lembrei dos meus antepassados, de um céu estrelado e de uma terra abundante que talvez não existam mais: céu nublado e terra devastada do presente... de viver em uma megalópole... mas com Vida teimosa. 

Cada vez que eu conto essas histórias, sinto que contribuo de algum jeito com essa Vida persistente.

 

Diz a Angela:

 

Davi Kopenawa, grande sábio e líder de seu povo Yanomami, há muitos anos atrás, disse que a memória é imortal, pertence a Omama, o criador do povo Yanomami. Falou assim, com essa certeza, sem mais considerações. Assim é!

E se a memória pertence ao criador, é imortal como ele, tem poder, se manifesta de formas sutis e imprevisíveis, perambula por matas, rios, mares, cidades, circula entre todos os seres.

Sendo assim, as histórias podem sobreviver às pessoas e aos povos que as criaram. E surgir no sonho de um filho desgarrado, décadas, centenas de anos depois de ficar dormindo na memória do criador. Pode reaparecer no sonho e se materializar em palavras criadoras e poderosas, num idioma que já não existe, num canto que há muito deixou de ser cantado. Assim é!

direitos reservados - Cristiana Ceschi

ilustrações do cabeçalho: Beatriz Carvalho