Eu sou um parágrafo. Clique aqui para adicionar o seu próprio texto e editar-me. Sou um ótimo lugar para você contar sua história e para que seus visitantes saibam um pouco mais sobre você.

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Há obras de arte que dizem comigo, outras que me antecipam, outras que me repetem, sem contar as que me contradizem, as que me desmentem, as que abrem mundos dentro dos meus mundos. Como quer Deleuze, escrever (mas isso vale para todo processo de criação artística) é tornar visível o invisível, audível o inaudível, dizível o indizível, pensável o impensável, assim como Lyotard dirá da arte como presentificação do impresentificável.

(Marcos Ferreira Santos e Rogério de Almeida, 2012)

Teatro infantil - direção:

1) Até as Princesas soltam Pum - teatro alfa

da cia Toc Toc, posso entrar?

inspirado no texto de Ilan Brenmann.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Matéria do critico Dib Carneiro Neto pra o site da revista crescer.

 

O livro de Ilan Brenman, meu colega colunista deste site, já é um grande sucesso desde 2009, quando foi lançado pela Brinque Book. Agora, o seu ‘Até as Princesas Soltam Pum’ virou peça de teatro.

Em cartaz já há algumas semanas no Teatro Alfa, em São Paulo, o espetáculo é encantador e livremente inspirado na história original.

Adoro adaptações como esta, que não são reverentes demais ao autor, mas que ao mesmo tempo em que inventam e recriam também preservam toda a essência dos livros.

 

Na obra do premiado Brenman, a curiosa protagonista Laura conversa o tempo todo só com o pai. A peça opta por trocar o pai por uma amiguinha, a sapeca Luiza, valorizando e celebrando, assim, a linda amizade entre duas meninas sonhadoras e brincalhonas, que querem, elas próprias, um dia ser princesas.

 

Montagem da companhia Toc Toc Posso Entrar, surgida em 2010 com foco na chamada contação de histórias, e com direção e dramaturgia assinadas por Cristiana Ceschi, a peça é bastante movimentada e animada, sobretudo pela escolha acertada de uma trilha sonora executada ao vivo por Cristina Bosch (diretora musical) e Pedro Ribeiro. Trata-se de uma inusitada trilha para um infantil, pois não tem momentos muito melosos ou sentimentais. Ao contrário, a música é uma festa, nada óbvia, com ritmos dançantes de rave, valorizando o pop rock das baladas. Sensacional!

 

As duas atrizes dão um show. Danielle Barros (como Luiza) e Fabiane Camargo (como Laura) jamais lançam mão da voz infantilóide e da linguagem tatibitate – e, ainda assim, nos convencem de que são meninas, graças aos gestos, trejeitos, entonações, inflexões... A direção acerta também no uso criativo das imagens em telão, a cargo de Beatriz Carvalho e Diogo Nii Cavalcanti, do Estúdio Donguri.

 

Também é magnífico o momento em que as garotas devem criar um conto de fadas, como se fosse uma prova para virarem princesas de verdade. Luiza não se anima a inventar nada, Laura aceita a desafio e conta a cativante história de um hipopótamo azul, o que também não consta do livro de Ilan Brenman.

 

É um conto muito bonito, a ponto de atiçar em Luiza a vontade de terminar a história que a amiguinha começou. Romântica, ela cria um final feliz. Só esta cena do hipopótamo azul já valeria a peça toda. Mas o arremate do espetáculo é ainda mais emocionante, quando finalmente bate o sono nas duas meninas, depois de tantas brincadeiras à noite no quarto.

Você vai se encantar com o carinho e a cumplicidade entre Laura e Luiza. Não perca e não deixe que seus filhos

fiquem de fora deste inegável sucesso.

 

Vida longa para o espetáculo.

 

 

2) A Princesa Errante e o Principe Errado - mostra de gênero do Itaú Cultural.

de Ana Roxo e Cristiano Meirelles

elenco: Ana Roxo, Cristiano Meirelles e Nina Blauth

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O que temos para contar?

 

Era uma vez um príncipe que se sentia errado e uma princesa que queria ser errante. Mas a mãe da princesa desejava que ela fosse a maior princesa de todos os tempos: frágil e tímida à espera de seu príncipe encantado. E o príncipe foi predestinado, pelo seu pai, a ser o próprio “ encantado”: forte, corajoso, lutador de esgrima e salvador de princesas.

 

A rainha mãe da princesa a convence de que ela de fato é sua madrasta e tranca a menina numa torre. Afinal, princesa que é princesa morra numa torre, é loira e tem madrasta.

 

O príncipe, mais dado a costurar, pintar e dançar, é repreendido pelo rei que não entende como "aquilo" pode ser seu filho. O menino, assustado, decide se esconder num armário.

 

Essa história corre mundo chorada, contada e recontada.

 

A princesa, ousada foge da torre com seu amigo dragão. Erra pelo mundo e encontra várias princesas. Um dia, chega a um reino onde o rei tem um segredo.

 

O segredo é o menino trancado.

 

Ambos desencaixados das expectativas sociais serão unidos pelo destino numa jornada que questiona as histórias que contamos e os paradigmas de felicidade: por que cada um não pode ser o que quer ser?

 

Por que queremos contar?

 

A Princesa Errante e o Príncipe Errado é uma peça musical infanto-juvenil voltada para questões de gênero.

De encaixe nos padrões do seu gênero. É uma peça sobre coisas de menino e coisas de menina.

 

Carrinhos de menino. Bonecas de menina. Menino joga bola. Menina brinca de casinha.

 

E se não for assim? 

 

É durante a infância que começamos a formar nossa visão de mundo. A visão apresentada nas histórias infantis e contos de fada, que atualmente nos chega já pela releitura da indústria cinematográfica americana, perdendo assim grande parte de sua potencia simbólica e arquetípica, acaba por apresentar morais “edificantes”, reafirmando velhos paradigmas.

 

Essa visão tem deixado a desejar na hora de se dar conta do mundo em que vivemos. Desse mundo em transformação. Cada vez mais colocamos crianças em situação de desencaixe, não se sentindo parte do reino perfeito, onde há a ilusão da escolha, contanto que seja uma escolha que se encaixe nas expectativas. Nessas histórias que formamos nosso imaginário.

 

Pois bem, criamos uma nova história!

Uma nova história que por um lado retoma princípios simbólicos e por outro questiona os estereótipos das releituras da Disney...)

 

MAIS SOBRE O UNIVERSO ARQUETÍPICO DE PRINCIPES E PRINCESAS NA ENTREVISTA ABAIXO, só clicar no link!

 

Entrevista do Dafne Sampaio com Cristiana Ceschi

 

direitos reservados - Cristiana Ceschi

ilustrações do cabeçalho: Beatriz Carvalho